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Arguição pública do candidato a presidente da Fundação Hospitalar de Minas

Arguição pública do candidato a presidente da Fundação Hospitalar de Minas

Como relator da Comissão Especial de Indicação de Jorge Raimundo Nahas para presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o deputado Dr. Jean Freire realizou a arguição pública do candidato na tarde na quarta-feira, dia 1º de abril.

 

Antes de iniciar suas perguntas, Dr. Jean afirmou que a criação da Fhemig foi uma conquista e um conforto importantes para o povo mineiro. “A fundação desempenhou papel importante em processos históricos como a reforma psiquiátrica e a reintegração social de pacientes estigmatizados, como tuberculosos e leprosos”, lembrou.

 

A Fhemig – está vinculada à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e é prestadora de serviços de média e alta complexidades, exclusivamente para o Sistema Único de Saúde (SUS). A Rede Fhemig é uma das maiores gestoras de hospitais públicos do País e atua em seis complexos assistenciais: Urgência e Emergência, Especialidades, Saúde Mental, Hospitais Gerais, MG Transplantes e Reabilitação e Cuidado ao Idoso. A rede possui 20 unidades assistenciais, 7 delas localizadas no interior do Estado e 13 na Região Metropolitana de Belo Horizonte. São cerca de 20 mil funcionários, que atendem 74 mil pacientes ao ano nos 2 mil leitos das unidades.

 

“Dos 1 milhão e meio de acolhimentos do SUS, grande parte é feita pela Fhemig, configurando-a como a maior prestadora de serviços do SUS. Por isto, é de grande importância a escolha de um presidente capacitado e dedicado para gerir a rede”, justificou o deputado Dr. Jean ao proferir — como relator da Comissão e após a sabatina — voto favorável pela aceitação do nome de Jorge Nahas.

Os demais integrantes da Comissão acataram o voto do relator Dr. Jean e a matéria segue, agora, para apreciação no plenário da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG).

 

Confira como foi a arguição:

 

Relator —  A previsão orçamentária para 2015 é suficiente para que a instituição cumpra seus objetivos principais?

 

Nahas — Os atuais recursos para a Fhemig são similares aos do ano passado, cerca de 1 milhão e 200 mil reais. Apesar da fundação estar deficitária com alguns fornecedores, creio que, se trabalharmos com rigor, vamos manter o padrão dos atendimentos. Infelizmente, para este ano não haverá muitas novidades, pois herdamos um passivo grande do governo anterior. Mas faremos um programa de investimentos, sobretudo para finalizarmos obras importantes em andamento.

 

Relator - O atendimento hospitalar da Fhemig ocorre nos diversos complexos hospitalares (Complexos de Saúde Mental, de Reabilitação e Cuidado ao Idoso, de Urgência e Emergência, de Especialidades, de Hospitais Gerais e o Complexo MG Transplantes). É necessário reorganizar o funcionamento de algum desses complexos?

 

Nahas — Sim. Precisamos focar o de urgências e emergências, sobretudo na parte da ortopedia, para otimizarmos o tempo de permanência de um paciente no leito, que atualmente é, em média, de 14 dias. Outra prioridade é o MG Transplantes, que temos que melhorar a performance dos médicos. Temos também que investir na área de ensino e pesquisa e residência, para termos médicos mais capacitados.

 

Relator — É sabido que, apesar dos avanços, a política de transplantes no País ainda apresenta muitas deficiências. Quais os maiores problemas a serem solucionados nesse campo? Qual a proposta do MG Transplantes para aumentar a eficiência na captação de órgãos e na realização de transplantes?

 

Nahas — A proposta é melhorarmos a performance das equipes de transplantadores e capacitar hospitais para realizar os diversos tipos deste procedimento. Atualmente, a notificação e captação de doadores está o.k., mas a efetivação dos serviços não. A intenção é que o Hospital Júlia kubitschek, juntamente com o Hospital do Barreiro, que está sendo construído, sejam capacitados.

 

Relator — Quais os projetos atuais da Fhemig para incentivar e promover o desenvolvimento de atividades relacionadas ao ensino e à pesquisa em saúde? No que se refere à formação dos médicos, constata-se que as vagas para residência não são suficientes para a demanda. A Fhemig tem condições de ampliar o número de vagas para residência médica na instituição?

 

Nahas — A fundação é a maior provedora de residência médica em Minas Gerais. Mas podemos ampliar este número com a realização de convênios. Esta é uma responsabilidade fundamental que assumimos.

 

Relator — Que medidas o senhor pretende implementar em sua gestão para a qualificação e o aperfeiçoamento permanentes do quadro de pessoal? E que medidas tem em vista para motivar os servidores da Fhemig para o trabalho e para valorizá-los?

 

Nahas — Esta é uma tarefa permanente da Fhemig. 70% dos recursos serão utilizados para a política de pessoal, com programas de formação continuada, de qualificação técnica e de relações de trabalho. Além disso, apesar de ser naturalmente tensa, a relação com o sindicato dos servidores será permanente, constante, paciente e aberta ao diálogo.

 

Relator — É recorrente a queixa da população sobre a dificuldade de acesso à atenção de média e alta complexidade no SUS. Como o senhor avalia a integração da Fhemig no SUS e no Plano Diretor de Regionalização – PDR – de Minas Gerais? Que estratégias o senhor julga necessárias para amenizar o problema da falta de leitos hospitalares no Estado?

 

Nahas — A intenção é que a Fhemig siga as linhas de cuidados, os fluxos dos SUS e discuta as demandas de cada hospital com os gestores municipais.

 

Relator — O senhor tem especialização em cirurgia-geral pelo Hospital João XXIII e em gestão de organizações hospitalares pela Fundação Oswaldo Cruz, e cursou a École Nationale de Santé Publique, na França. Além disso, já exerceu cargos de direção em instituições hospitalares públicas de Minas Gerais e foi coordenador-geral de gestão hospitalar no Ministério da Saúde. De que maneira as suas experiências e formação profissional poderão contribuir para o desempenho de suas novas atividades como presidente da Fhemig?

 

Nahas — Desenvolvi ao longo de minha vida habilidades pelas quais tenho orgulho. Mas o aprendizado é sempre constante. O mais importante é construirmos uma equipe coesa, comprometida, dedicada, íntegra e competente. O que quero enfatizar sempre é o diálogo fluido e funcionando. Como diz o sociólogo polonês Bauman, “quem rejeita o diálogo é uma pessoa corrupta” e “o diálogo é a arte mais importante que queremos aprender para manter a paz no planeta”.

 

Relator — Com base na sua experiência em gestão hospitalar pública, inclusive como superintendente da Fhemig em 2000, que problemas considera mais graves naquela instituição? Como esses problemas serão enfrentados em sua gestão?

 

Nahas — Temos que tratar com carinho as instituições de longa permanência, os problemas de atualização tecnológica e manutenção predial oriundos do tamanho da rede, o plano de carreiras dos funcionários, a realização de concurso público e a gestão de pessoas.

 

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