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Comissão de Saúde da ALMG discute construção de hospital do câncer em Capelinha

Comissão de Saúde da ALMG discute construção de hospital do câncer em Capelinha

Foto: Guilherme Bergamini

Lideranças do Vale do Jequitinhonha trouxeram relatos das dificuldades enfrentadas pelos pacientes da região.

Na manhã desta quarta-feira, 16 de maio de 2018, o deputado estadual Dr. Jean Freire esteve presente em audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que debateu a possibilidade de construção do Hospital de Controle e Combate ao Câncer no município de Capelinha, região do Alto Jequitinhonha

Dentre os motivos levantados pela presidente da Associação Capelinhense de Apoio aos Portadores de Câncer (ACPAC), Mônica Marques de Abreu, está a grande distância que os pacientes precisam percorrer para conseguir tratamento em Belo Horizonte - cerca de 550 quilômetros. Mônica apontou ainda  a impossibilidade de conseguir um diagnóstico precoce na região, tendo em vista que os municípios não contam com o aparato necessário, como tomografia computadorizada e ressonância magnética.

O prefeito de Capelinha, Tadeu Filipe Fernandes de Abreu, solicitou apoio para a construção do hospital. Para ele, a região de Capelinha não tem recebido a devida atenção, principalmente na área da saúde. Tadeu também defendeu uma interiorização da rede de atendimento, possibilitando que os pacientes sejam tratados na sua região. A reivindicação do prefeito foi acompanhada por outros prefeitos, vereadores e secretários de Saúde de diversos municípios como Virgem da Lapa, Pedra Azul, Ponto dos Volantes, Aricanduva, Minas Novas, Turmalina, Itamarandiba, entre outros.

 

Aumento do número de mortes por Câncer na região

Segundo dados apresentados pela coordenadora do Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer da Secretaria de Estado de Saúde, Berenice Navarro Antoniazzi, foi constatado um aumento do número de mortes por câncer na região: entre 2007 e 2016, somente na Macro Jequitinhonha, o crescimento foi de 75%.

Além disso, foram verificadas também muitas fragilidades no tratamento que é ofertado à população, como a demora no diagnóstico foi outro dado apontado pela coordenadora- cerca de 50% dos pacientes iniciam o tratamento com estágio avançado da doença. Grandes intervalos entre o diagnóstico da doença e o início do tratamento e a dificuldade em conseguir a integralidade da assistência no primeiro hospital e a subnotificação dos casos também foram problemas apontados por Berenice. 

A presidente da Câmara Municipal de Minas Novas, vereadora Fátima de Lurdes Martins Almeida, lamentou a situação das mulheres da região vítimas de câncer de mama, por exemplo, que acabam falecendo antes de conseguir o tratamento adequado.

 

Prevenção ainda é o melhor remédio

Apesar de os dados apontarem a necessidade de implementação do hospital, Berenice Antoniazzi defende que apenas a construção ou habilitação do hospital não é suficiente para prestar um atendimento adequado à população. Para ela, é preciso desenvolver ações estratégicas, como na prevenção da doença, além de um planejamento integral.

Uma das propostas defendidas pelo secretário-geral da Associação Médica de Minas Gerais, Gabriel de Almeida Júnior, foi a necessidade de regionalização do atendimento aos pacientes de câncer. Entretanto, ressaltou que o mais importante é a prevenção da doença, com a qualificação dos médicos que prestam o primeiro atendimento e o aumento do número de diagnósticos precoces.

O deputado estadual Dr. Jean, vice-presidente da Comissão de Saúde, também ressaltou a importância da prevenção e diagnóstico precoce e a necessidade de se discutir quais as causas reais para o aumento do número de pacientes com câncer na região. “Nós precisamos ter coragem de colocar o dedo na ferida também e começar a repensar o modelo de muitas das atividades que são exploradas na região, como a mineração, que, da forma como são exercidas, oferecem sérios riscos ao meio ambiente e à saúde das pessoas”, disse.

Para o parlamentar, esta deve ser tratada como uma luta de todos e defendeu que os deputados estaduais destinem emendas parlamentares para a construção do hospital. “O Vale do Jequitinhonha é historicamente abandonado. Nós precisamos fazer um compromisso real com essa causa e lutar para que ela seja concretizada”, finalizou.

 

Assessoria de Comunicação 

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