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Comissão vai acompanhar acordo do Estado com a Fhemig

Comissão vai acompanhar acordo do Estado com a Fhemig

Na audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada nesta quinta-feira, 13, para debater a situação dos hospitais da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Dr. Jean Freire externou seu constante e irrestrito apoio aos servidores da rede, que ficaram em greve por dez dias, finalizando nesta mesma data a paralisação.

 

Dr. Jean foi um importante interlocutor entre os trabalhadores e o governo estadual. E lembrou, na audiência, que a situação da Saúde não está ruim há pouco tempo, como querem pregar os opositores ao governo de Fernando Pimentel: “Tenho coragem de dizer que os profissionais da saúde não estão cansados há quatro meses, mas há doze anos! Tenho coragem de dizer que neste período todo jamais foram chamados para discussões da forma que são hoje. Ouço pessoas falarem 'Até o ano passado, gritávamos para os deputados e eles nem olhavam para cima, agora nem precisamos gritar'. O funcionalismo, no passado, não recebeu os cuidados que precisavam ter dos governantes”.

 

A Comissão de Saúde deliberou no encontro que irá acompanhar os desdobramentos do acordo entre governo e servidores da saúde.

 

O presidente da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg), Carlos Augusto Martins Passos, explicou que foram acordados com o Governo do Estado um abono de R$ 190,00 que será incorporado ao salário em quatro parcelas, no período de um ano, e será viabilizado por meio de um projeto de lei a ser encaminhado à ALMG, e também a redução da jornada de trabalho, de 40 para 30 horas semanais. Além disso, há, segundo o sindicalista, a perspectiva de criação de um grupo de trabalho para estudar alterações no plano de carreira da categoria. “Em agosto, o trabalho deverá estar concluído e haverá outras reuniões para avaliar novo reajuste”, informou.

 

Segundo o sindicalista, a motivação para a greve neste ano decorre do passado. “Já acumulávamos, no ano passado, dois anos sem reajuste no salário. No ano passado, nos propuseram 4,2% de reajuste, mais o pagamento do prêmio de produtividade, mas não recebemos na Fhemig nenhuma das promessas”, contou. Carlos Augusto Passos relatou que as entidades sindicais procuraram o governo, neste ano, para que as perdas fossem repostas. “Depois de muitas reuniões, não havia uma proposta concreta. Por isso, começamos a greve”, explicou.

 

O presidente da Asthemg salientou que, ao longo de 12 anos do último governo, houve alguns avanços em infraestrutura para a área. “Mas temos denúncias de que nem portas de banheiro nem janelas quebradas foram trocadas em alguns espaços de menor visibilidade. Além disso, em nenhum dos hospitais houve mudança da política da saúde”, relatou.

 

Sindicalistas relatam problemas na Fhemig — De acordo com a representante do Conselho Estadual de Saúde, Lourdes Aparecida Machado, vários hospitais regionais ainda não foram assumidos de forma plena pelo Estado. “São 12 projetos que poderiam ser abrangidos pela Fhemig para que não houvesse terceirização do serviço”, disse. Ela também colocou como problemas a jornada extensa de trabalho e o adoecimento dos servidores. Para a diretora, foi importante o acordo feito com o governo para 30 horas semanais de trabalho.

 

De acordo com a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde), Maria Lúcia Barcelos, é preciso melhorar a segurança dos servidores, pois eles são agredidos com frequência pelos pacientes, segundo ela. Servidora da Fhemig há mais de 30 anos, ela afirmou que o acordo feito com o governo foi uma vitória para a categoria. “No governo Aécio Neves, aumentaram a jornada de trabalho. Fernando Pimentel agora vai voltar com essa jornada sem desconto do salário”, disse.

 

O diretor-coordenador do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público (Sindpúblicos), Geraldo Antônio Henrique da Conceição, disse que a saúde pública é um problema crônico no País e lamentou os baixos salários praticados na área. “Independente do partido, anualmente o trabalhador precisa fazer greve para reivindicar melhorias”, enfatizou. Ele lamentou que, no ano passado, o governo destinou recursos do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) para o caixa único do Estado. “É preciso que o atual governo revogue essa iniciativa”, defendeu.

 

Já o orientador sindical da Federação Interestadual dos Servidores Públicos Municipais e Estaduais (Fesempre), Antônio Francisco da Silva, salientou que a alteração da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais é muito relevante. “As dificuldades dos trabalhadores da área da saúde são grandes. O assédio moral nos municípios é muito grande. Trabalham em ambientes sem nenhuma infraestrutura”, disse.

 

Diretora da SES pede parceria para implementação de melhorias — A diretora de Saúde do Trabalhador da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Marta de Freitas, relatou que os problemas da Fhemig são crônicos. “A questão da violência na Fhemig é assustadora. Houve alguns investimentos, mas nunca se pensou no servidor. A Fhemig se sustenta por seus servidores”, afirmou.

 

Ela relatou pesquisa feita em unidades da fundação que aponta que, só na Capital, 40% dos servidores estão afastados do trabalho por problemas de saúde. “Precisamos repensar tudo isso. Lutar pela saúde dos servidores da Fhemig é melhorar a política de saúde”, acrescentou. A diretora pediu aos servidores parceria para que melhorias sejam conquistadas.

 

O assessor da Diretoria Assistencial da Fhemig, Tiago Sávio Moreira Possas, falou que a instituição está aberta ao diálogo e ao controle social.

 

( ALMG com edição da Assessoria de Comunicação do Mandato)

 

Fotos: Sarah Torres

 

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