Notícias

Liberdade ainda que tardia

Liberdade ainda que tardia

Dr. Jean Freire*

 

No dia 21 de abril, eu e mais 140 personalidades fomos agraciados com a Medalha da Inconfidência. Esta é a maior homenagem oferecida pelo Estado de Minas Gerais a pessoas e entidades que se destacaram no último período. Também recebeu honraria o economista João Pedro Stédile, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina no Brasil.

 

Acertou o Governo de Minas em homenagear não só o militante, mas todo o movimento de luta pela terra que vem, desde os anos 80, denunciando o latifúndio e promovendo a organização de homens e mulheres na luta pela reforma agrária. Luta esta que busca garantir uma porção de terra a todos aqueles que nela desejam viver e trabalhar.

A homenagem recebida pelo companheiro Stédile resultou em fortes críticas por parte de deputados da oposição e setores da sociedade que, pasmem, não externalizaram a mesma indignação a medalhas ofertadas a pessoas como o ex senador pelo estado de Goiás, Demóstenes Torres (DEM), cassado por envolvimento com a máfia do jogo do bicho. O então parlamentar recebeu a Medalha da Inconfidência das mãos do governador Antônio Anastásia (PSDB).

 

O governo estadual acerta quando inverte suas prioridades e reconhece a contribuição de lutadoras e lutadores dos movimentos populares na construção de uma nova Minas Gerais que, revestida dos ideais libertários dos inconfidentes, grita em alto e bom tom que Minas não tem dono.

 

Não nos furtaremos de travar qualquer debate que seja do interesse dos mineiros e mineiras, mas também não permitiremos que sejam feitas manobras para tirarem o foco dos desmandos e erros cometidos pelos governos neoliberais do PSDB, que entregaram uma Minas Gerais com um rombo orçamentário de mais de 7 bilhões de reais.

 

O diagnóstico (um verdadeiro pente fino nas contas públicas) apresentado pelo governador Fernando Pimentel (PT) escancarou que o modelo de gestão tão propagandeado pelos governos anteriores, chamado de “Choque de Gestão”, se mostrou um grande fracasso.

 

O documento aponta que a dívida do Estado passou de R$ 52 bilhões em 2007 para R$ 93,7 bilhões em 2014. As despesas com a folha de pagamento saltaram de 88% do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 2007 para 105% da arrecadação, no ano passado. Em 2015, o valor deve atingir 116%.

 

O Estado de Minas Gerais foi entregue no dia 1º de janeiro deste ano com uma dívida consolidada de R$ 94 bilhões, sendo que 98% desse valor refere-se a empréstimos com bancos e instituições de fomento, além do endividamento com a União. Os outros 2% provêm de obrigações com pagamentos de pensões e aposentadorias. Sem falar nas inúmeras obras por todo o estado, já contratadas, mas que estão paradas.

 

Esta é a Minas real que a oposição ao nosso atual governo não quer deixar aparecer, seja pelas responsabilizações que os cabem enquanto parte dos governos passados ou como pretensos herdeiros de um projeto politico que foi reprovado de forma incontestável pelos mineiros.

 

Foi-se o “Choque de Gestão”; agora é a Minas de todos.

 

 

*Dr Jean Freire é deputado estadual pelo PT de Minas Gerais

 

 

Compartilhe

Comente