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Luta por direitos e resistência ao golpe norteiam roda de conversa durante o FESTIVALE

Luta por direitos e resistência ao golpe norteiam roda de conversa durante o FESTIVALE

Com o tema “Nenhum direito a menos”, o evento contou com a representação de diversos movimentos sociais

Na atual conjuntura política do nosso país, em que vivenciamos um verdadeiro ataque à classe trabalhadora, o corte de investimentos em áreas prioritárias como saúde e educação e o corte de vários direitos conquistados, é necessário que a sociedade se organize e ocupe os mai variados espaços, no intuito de denunciar o golpe em curso no nosso país e mobilizar cada vez mais pessoas na luta por democracia.

Em sua 34ª edição, o Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha (FESTIVALE), realizado entre os dias 23 a 29 de julho, em Felício dos Santos, tem se tornado um grandioso ato político e de resistência. Na última terça-feira, 25, o deputado estadual Dr. Jean Freire, um dos grandes parceiros e colaboradores do FESTIVALE, participou da roda de conversa “Nenhum Direito a Menos”, que integra a programação do evento, para falar sobre a atuação do seu mandato na luta contra o golpe na democracia.

Para o deputado, em um momento de grandes ataques aos direitos do povo, é necessário que todos os espaços sejam ocupados como forma de denúncia do golpe perpetrado pelo governo golpista. “É importante que nós estejamos mobilizados e que mobilizemos nossos companheiros contra todas as arbitrariedades do governo que aí está. Além disso, é preciso que nós, figuras públicas, saibamos aproveitar deste lugar que nós ocupamos para denunciar constantemente todas as ofensivas contra os(as) trabalhadores (as) do nosso país”, afirmou.

O prefeito do município, Ricardo Rocha, deu as boas vindas aos participantes e falou da satisfação em estar recebendo o FESTIVALE na cidade. “Todo o corpo de funcionários da Prefeitura está envolvido neste evento grandioso que tem nos proporcionado uma enriquecedora troca de experiências” disse. A Diretora-executiva da Federação das Entidades Artísticas e Culturais do Vale do Jequitinhonha (FECAJE), Maria Aparecida dos Santos Queiroz falou sobre a importância da realização de um espaço como este num momento de tamanha instabilidade política e da responsabilidade dos participantes do FESTIVALE estarem presentes num momento tão enriquecedor.

Em sua intervenção artística, Giselda Gil, representante do grupo Mulheres da Vida, de Minas Novas, abordou a luta das mulheres por mais direitos e a inserção da arte neste movimento. Claudilene da Costa Ramalho, professora da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), trouxe um pouco da contribuição da Universidade na luta pelos direitos da mulher com o Observatório dos Direitos da Mulher (Observa Mulher), um grupo de estudos que debate a realidade da mulher na região e que atua no desenvolvimento de ações que visam combater o machismo nos espaços em que atuam. Entretanto, segundo a professora, o projeto tem enfrentado situações críticas. “Este é um projeto que está inserido dentro de uma universidade pública. E nessa conjuntura, vem passando por um intenso processo de desmonte”, afirmou.

Ytxahá Braz, da aldeia indígena Cinta Vermelha Jundiba, localizada no município de Araçuaí, falou sobre os direitos dos povos indígenas. Segundo ela, pouco se sabe ainda sobre os povos indígenas presentes no Vale. “Muita gente ainda não sabe que nós estamos aqui, que somos daqui. Acham que somo lá do norte do país”, disse. Uma das principais lutas dos indígenas atualmente tem sido pela demarcação de terras. “Quando a gente fala em demarcação, não estamos falando só em material, do chão que a gente pisa, mas falamos também de espiritualidade do nosso povo. A terra do nosso povo tem espiritualidade e a gente precisa dos nossos recursos preservados pois é dali que nós tiramos nossa força”, afirmou.

O professor Abel Sicupira, da cidade de Jequitinhonha, retratou um pouco o movimento “As BlayBlads”, grupo LGBT que surgiu em 2004, durante o FESTIVALE em Salinas, e que desde então vem trazendo mais cor e diversidade ao evento. “Desde que o grupo teve início, nós já tivemos muitas conquistas, contando sempre com o apoio de muitos parceiros. E isso fez com que nós chegássemos onde nós queríamos. Hoje nós conseguimos realizar seminários, rodas de conversa e palestras, levando essa discussão para vários os vários espaços que ocupamos”, disse.

Militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Aline Ruas trouxe uma perspectiva das pautas de enfrentamento dos movimentos sociais neste contexto de golpe e de intensos retrocessos. A principal delas é a proposta de privatização das hidrelétricas da CEMIG pelo governo federal.

 

Assessoria de comunicação 

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