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Números de leitos de CTI no Estado está defasado há anos

Números de leitos de CTI no Estado está defasado há anos

Autoridades acreditam que investimento em unidades de cuidados intermediários poderia desafogar o sistema.

 

(24 de setembro de 2015)

 

O Governo do Estado admitiu, nesta quarta-feira, 23, uma carência de 973 leitos de tratamento intensivo em Minas Gerais. Mas ressaltou que o problema vem de anos: "Nesta gestão tentaremos corrigir o que for necessário", afirmou o diretor de Política e Gestão Hospitalar da Secretaria de Estado de Saúde, Danilo Borges Matias, que participou de audiência pública realizada pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Essa carência de leitos foi o tema da reunião, que atendeu requerimento do deputado Dr. Jean Freire (PT). O propositor lembra que esta é uma herança de governos anteriores que o atual está tendo que lidar.

 

De acordo com o deputado Dr. Jean Freire, sua experiência médica o sensibilizou para o problema da falta de leitos de tratamento intensivo. Ele relatou, por exemplo, episódio em que atendeu um paciente em Araçuaí (Vale do Jequitinhonha) que ficou por quatro dias entubado em uma enfermaria, com outros pacientes, sujeito a contaminação e outras enfermidades.

 

De acordo com o diretor Danilo Matias, Minas Gerais já encaminhou ao Ministério da Saúde pedidos de credenciamento de mais 78 leitos de tratamento intensivo e mais dez para tratamento intermediário. Ele admitiu que esses processos de credenciamento têm caminhado lentamente e já não acontecem há aproximadamente dois anos. De acordo com os participantes da reunião, no entanto, o maior problema do Estado não é a carência de leitos de tratamento intensivo, mas de recursos financeiros e profissionais que garantam a viabilidade desses leitos e, especialmente, de unidades de cuidados intermediários, que evitem o uso desnecessário do tratamento intensivo.

 

Financiamento do SUS — A crítica mais recorrente, tanto por parte dos deputados quanto de outras autoridades, é a falta de investimento na saúde.

 

Em relação a essas ponderações, Dr. Jean Freire lembrou que este não é o único problema que afeta a Saúde. “A gestão ineficiente também acarreta sérias consequências. E isto afeta não só o CTI, mas todos os aspectos da saúde do atendimento hospitalar. Muitas vezes há o leito para planos particulares, mas não para pacientes do SUS”, defendeu o parlamentar.

 

Com relação à falta de profissionais, ela se torna muito visível no caso das UTIs neonatais, em função da carência de pediatras. Tanto o diretor de Política e Gestão Hospitalar, Danilo Matias, quanto a presidente da Sociedade Mineira de Terapia Intensiva, Fátima Guedes Silva, garantiram que há um superávit de leitos neonatais, especialmente na Região Central do Estado. Fátima Silva, no entanto, afirmou que a grande carência, nesse caso, é de pediatras, de outros profissionais e de unidades para tratamento intermediário, como aqueles relacionados à cardiopatia infantil.

 

O deputado Dr. Jean ressaltou que esse problema do tratamento intermediário é fundamental para desafogar o tratamento intensivo. “Muitas vezes, mesmo com a evolução clínica do paciente, temos que mantê-lo na CTI por não ter para onde transferi-lo”, afirmou.

 

Para Renato Barros, diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG) e Conselho Nacional de Saúde, o Estado tem que regular a Saúde e ter o setor privado como auxiliar. “Há grande esperança no atual governo, pois os passados só nos prejudicaram ao não cumprir o que diz a Emenda Constitucional 29 e não investir em Saúde. Precisamos também de regulação da formação dos profissionais também”, afirmou.

 

Barros lembrou, ainda, que a sociedade está organizada e o controle social existe. “Exemplo é a grande Conferência Estadual que fizemos há pouco, afirmou ao se referir à 8ª Conferência Estadual de Saúde, realizada no início do mês com a participação de mais de 3 mil pessoas de todas as regiões do Estado.

 

Novos leitos — Guilherme Riccio, Superintendente de Assistência à Saúde do Grupo Santa Casa de Belo Horizonte agradeceu o esforço da Secretaria de Saúde em viabilizar a criação de mais dez leitos de pós-operatório na instituição, que atenderão especialmente pacientes com cardiopatias. A previsão é de que esses leitos estejam disponíveis em outubro.

 

Regionalização — Outra cobrança apresentada durante a reunião foi a regionalização do tratamento intensivo. O promotor Gilmar de Assis defendeu a elaboração de planos de ação regional que se tornem um argumento para a busca de recursos e apoio do Governo Federal. Assis é o coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa da Saúde.

 

"Temos vivido grande dificuldade nos municípios mineiros. Todos os dias temos algum pedido de transferência”, informou Bruno Diniz, Secretário Municipal de Saúde de Sarzedo e presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) – Regional Belo Horizonte.

 

Assessoria de Comunicação com informações da ALMG

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