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O golpe não marca nossa derrota, mas o fortalecimento de nossa luta e resistência

O golpe não marca nossa derrota, mas o fortalecimento de nossa luta e resistência

Um golpe contra a democracia, contra o povo brasileiro. Uma derrota da justiça e da verdade. É isso que o dia 31 de Agosto de 2016 representará para todos os brasileiros e brasileiras. O dia em que 61 senadores da República traíram o voto popular e tomaram de assalto o poder. 61 usurpadores do voto popular. 61 bandidos que feriram a nossa Constituição. Golpistas covardes. Traidores do povo. Canalhas.

Canalhas, pois não foram capazes de aceitar a derrota de seus projetos políticos nas urnas por duas vezes consecutivas. Não aceitaram ser derrotados por uma mulher. Afinal, para os canalhas, a política não vestia saias. Mas Dilma ousou provar que estavam errados.

Usurpadores, pois, por meio de um golpe de Estado, ocuparam um lugar que não lhes pertence de forma covarde e injusta.

Travestido de impeachment, o golpe que foi consumado na tarde desta quarta-feira, 31, tem como principal objetivo interromper o histórico processo de desenvolvimento social, econômico, democrático e popular gerado pelos governos Lula e Dilma e materializar os propósitos das elites econômicas. Para isso, condenaram uma mulher honesta, íntegra e inocente.

O impeachment de Dilma Rousseff representa um retrocesso para o país inteiro, sobretudo para os movimentos populares, organizações sindicais, militantes e partidos de esquerda, que se propõem a fazer do Brasil um país mais justo e de oportunidades para todos e todas.

Desde que foi dado início ao processo, todos nós fomos obrigados a assistir àquilo que temos de pior em nossa política. Deputados e deputadas, senadores e senadoras, juristas, advogados e advogadas que, durante todo o trâmite, não conseguiram apontar o envolvimento da Presidenta Dilma em crimes de responsabilidade fiscal, esquemas de corrupção ou nenhum outro caso que justificasse seu impeachment. Mesmo assim, o defenderam em nome de suas famílias, cidades, igrejas e de Deus.

Alguns ousaram, ainda, justificar seu posicionamento utilizando, não a sua própria, mas a família de Dilma, como a advogada de acusação, Janaína Paschoal, ao dizer, por pura demagogia, que apoiou o impeachment pensando nos netos da Presidenta. Foi a maior revelação de cinismo dos últimos dias. A advogada não precisa pensar nos netos de Dilma e, sim, na grande injustiça que cometeu. Certamente, os netos da presidenta se orgulham da avó que têm. Uma mulher que não se acovarda diante das arbitrariedades e das injustiças cometidas não só contra ela, mas contra o povo brasileiro.

Ao contrário do que pensam os golpistas, a política não tem espaço para o ódio, para a vaidade, mágoa ou vingança. E muitos dos senadores que votaram a favor do impeachment, votaram por ódio. Um processo que foi nitidamente aceito por vingança. Trocaram uma mulher honesta e corajosa por um homem covarde, que preferiu não ter o nome mencionado durante a abertura dos Jogos Olímpicos 2016 para que não fosse vaiado. Tiraram do poder uma mulher que enfrentou a Ditadura Militar de cabeça erguida e sobreviveu à tortura e à repressão violenta. Uma mulher que, de forma histórica, realizou sua própria defesa com firmeza e contundência frente a um juri de bandidos e covardes. Um ato que, talvez, nenhum de nós teríamos coragem de fazer.

Apesar de ser um momento triste para aqueles e aquelas que acreditam e lutam por uma sociedade mais justa, nós ainda não fomos derrotados. Como disse a nossa guerreira Dilma, eles acham que nos venceram, mas estão enganados. O dia de ontem marcou o início da nossa resistência, que se dará nas ruas, nas escolas, nas igrejas e em todos os espaços. Buscaremos, cada dia mais, a mobilização e a unidade dos trabalhadores e trabalhadoras, dos jovens, estudantes, pessoas do campo e da cidade, que se dispuserem a lutar incessantemente contra o governo golpista de Michel Temer e todos os retrocessos que ele representa.

“Do mesmo lado da trincheira e da história, lutaremos até a vitória de um Brasil democrático, justo e soberano” - Frente Brasil Popular.
 

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