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Primeiro Encontro de Mulheres Quilombolas do Vale do Jequitinhonha é realizado em Berilo

Primeiro Encontro de Mulheres Quilombolas do Vale do Jequitinhonha é realizado em Berilo

O evento teve o apoio do mandato Dr. Jean Freire e contou com a participação de mais de 200 mulheres de 17 municípios da região

 

Mais um grande passo foi dado no sentido de fortalecer as comunidades quilombolas do Vale do Jequitinhonha. Com o apoio do nosso mandato, nos últimos dias 26 e 27, foi realizado o I Encontro de Mulheres Quilombolas, na comunidade Vila de Santo Izidoro, em Berilo. O evento teve como objetivo debater questões que traçam a vida cotidiana das mulheres, como as políticas públicas de combate à violência, os direitos dos povos quilombolas e outros assuntos que refletem diretamente no protagonismo e na autonomia das mesmas.

Organizado pela Comissão das Comunidades Quilombolas do Vale do Jequitinhonha (COQUIVALE) com apoio do Fundo Nacional da Solidariedade (FNS), o evento contou com a participação de cerca de 200 mulheres, lideranças quilombolas dos municípios de Almenara, Felizburgo, Chapada do Norte, Minas Novas, Berilo, Araçuaí, Itinga, Almenara, Jequitinhonha, Itamarandiba, Angelândia, Diamantina, Capelinha, Jenipapo de Minas, Francisco Badaró, Virgem da Lapa e Coronel Murta, além de representantes de organizações públicas e sociedade civil.  

Para o deputado, este é um momento fundamental: “Empoderar as mulheres é fortalecer toda uma comunidade. Nós precisamos colocar a pauta dos quilombos no centro das nossas discussões, sobretudo das mulheres, que são duplamente marginalizadas. É preciso repensar a situação da quilombola. Que este passo seja exemplo pra outras regiões”, sintetizou.

Durante a mesa de abertura, Beth Cardoso, engenheira agrônoma do Centro de Tecnologia Alternativa (CAV)  da Zona da Mata, tratou da invisibilidade da mulher e da desigualdade de gênero nos trabalhos com a agricultura, além de fazer o contraponto entre o modelo excludente e devastador do agronegócio comparado à transição agroecológica. Beth ainda relatou  sobre a importancia da mulher na agricultura familiar e da necessidade da produção de auto consumo tendo-a como protagonista. Além disso, ela aponta para a necessidade da formação de mais técnicos agrícolas do sexo feminino.

O sociólogo José Carlos Pereira, do Centro de Estudos Migratórios, falou sobre a exploração das mulheres no trabalho e o tráfico de pessoas, assim como a migração forçada pela falta de oportunidades locais. Segundo ele, esta envolve diversas questões culturais e de gênero. José Pereira informou que cerca de 20 milhões de mulheres saem do país à procura de trabalho e para fugir da violência. Deste total, 61% têm que se prostituir para pagar as dívidas que adquiridas para as viagens. 

A professoa de História do Instituto Federal do Norte de Minas (IFNMG), campus Arinos, Rosana de Jesus dos Santos, trouxe para o debate as trajetórias de mulheres negras que contribuíram para a história do Jequitinhonha, como "Tia Ciata", Antonieta de Barros, Maria do Nascimento, Carolina Maria de Jesus e Laudelina de Campos Melo. Ela traçou um paralelo com as mulheres da luta atual, que são invisibilizadas.

No segundo dia de evento, foram formados vários grupos de trabalho, seguidos de oficinas que trataram dos seguintes temas: "politicas públicas e mulher negra"; "mulher quilombola:  uso, manejo e conservação da agrobiodiversidade"; "mulher negra, mercado de trabalho e geração e renda";" mulher negra e violência" e "mulher negra e reafirmação da identidade".

Como encaminhamentos, foram construídas duas cartas. Uma, direcionada aos gestores públicos relatando os desafios apontados  durante o encontro. Uma cópia assinada por comissão de mulheres foi entregue a Dr. Jean, que se comprometeu a fazer a leitura da mesma em plenário.

A segunda carta foi entregue à representante do "Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)". A solicitação é de que seja implementada a "Agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – 2030" nos territórios quilombolas do Vale do Jequitinhonha, em especial naqueles que sofrem maiores impactos com o avanço do agronegócio e maior fluxo de migração forçada.

Um dos responsáveis pela realização do evento é Marcos Luis Silva, assessor do mandato Dr. Jean Freire. Para ele, é uma imensa satisfação concretizar uma ação tão importante para as mulheres quilombolas do Vale. “Este é só o primeiro passo no caminho pela construção de políticas públicas voltadas para as comunidades quilombolas, em especial, às mulheres. Estou muito realizado por ter participado deste momento, mas ainda há muito o que se fazer”, disse.

 

Assessoria de comunicação

Fotos: Divulgação

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